Núcleo Pedro Costa

[Após 40 anos dedicados à dança o bailarino, coreógrafo e produtor cultural Pedro Costa cria seu espaço: um laboratório de pesquisa para criação, difusão e fomento à dança localizado no coração da Bela Vista/Bixiga. 

O espaço surge como uma forma de divulgar e ampliar o trabalho de pesquisa de estudantes, bailarinos, coreógrafos e profissionais da dança em sua interface com outras áreas artísticas, buscando desenvolver não somente uma linguagem em dança contemporânea mas também favorecendo a troca entre saberes e a produção coletiva. 

Neste sentido, o Núcleo também oferta o compartilhamento do espaço para diferentes atividades artísticas.


Histórico do Núcleo Artístico Pedro Costa

Inspirado na literatura de cordel, em 2003, deu início ao “Núcleo Artístico Pedro Costa” com o espetáculo solo “De Repente…” que estreou no 3º Festival de Dança Contemporânea de Recife- PE. Em  2004 participou da Bienal de Santos, recebendo bons comentários da crítica. No mesmo ano foi contemplado com o prêmio “Estímulo à Dança Contemporânea” da Secretária de Cultura de São Paulo com apresentações na Galeria Olido e CEUs da cidade de São Paulo.

Em 2005, em conjunto com o bailarino e coreógrafo Sérgio Luiz, o músico Andrei Ivanovic e o artista plástico João Batista criou o espetáculo “Urbanoídes” que estreou no SESC Santo André seguido de apresentações no Grande ABC, SESC Pompéia, CEUs e Galeria Olido.

Em 2007, em trabalho colaborativo, desenvolveu o espetáculo “Khronos” que estreou na Mostra Internacional de Artes do SESC Ipiranga e cuja temática baseava-se em poemas de Bertold Brecht, Santo Agostinho e Vinicius de Moraes.  Com esta obra, Ainda em 2007, foi contemplado com o prêmio Fomento à Dança (Circulação) da Secretaria de Cultura de São Paulo, realizando mais de 30 apresentações na Galeria Olido, CEUs, USP, UNIBAN e equipamentos públicos da prefeitura de São Paulo.

 Primeira versão de ” Pipando, onde dormem os pássaros” com Lúcia Weber e Pedro Costa – 2011-

Em 2010, com base na leitura do livro Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, começa a investigar elementos para a criação do novo trabalho “Pipando… onde dormem os pássaros”, projeto contemplado com o 8º Premio de Fomento  à Dança  de São Paulo tendo o universo dos usuários de crack como impulsionador e Em 2017 realiza remontagem da obra subsidiado pelo oitavo Fomento à Dança de São Paulo, realizando apresentações em equipamentos culturais e também em parceria intersetorial com as secretarias de Saúde e Assistência Social. 

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Os bailarinos Pedro Costa e Roger de Paula em “Pipando, onde dormem os pássaros”- 2018-

Em 2012 inicia processo colaborativo com a “Mais um Coletivo de Dança”, para a criação do espetáculo “EU, OUTRO, NÓS” inspirado no poema Cântico Negro, de José Regio. Em 2013, em parceria com  artistas-criadores, realiza pesquisa do livro “Memórias de Armandinho do Bixiga”, do escritor Júlio moreno, para a criação do espetáculo “Emaranhado, o Bixiga como fio condutor” com estreia em Novembro de 2014 no Centro de Referência da Dança de São Paulo, passando por temporada no teatro Sérgio Cardoso em 2017. No ano de 2021 realiza uma série de apresentações do trabalho em formato online, contemplado pela Lei Aldir Blanc nos âmbitos municipal e Estadual e com parceria intersetorial. 

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Patrícia Pina Cruz em “Emaranhado- o Bixiga como fio condutor” -2017-

Em 2015, em parceria com Duo Instrumental “Pé na Cozinha” cria um trabalho que propõe intervenções em espaços não convencionais. “Corpos Sonoros” utiliza os poemas dos heterônimos de Fernando Pessoa para o diálogo entre corpo, sonoridade e palavra. Ainda nos anos de 2014 e 2015 atuou na idealização e execução da Mostra: “Prosa, Vídeo e Dança”, realizada em parceria com Vanessa Hassegawa.

No ano de 2018 criou o trabalho ” Enquanto Houver Corpo”, com estreia na ocupação ” A Dança se move” FUNARTE_SP. Em 2019 circulou com o espetáculo “ Corpos Sonoros” pelo circuito cultural paulista. No mesmo ano, ganha o Prêmio Denilto Gomes na categoria  Difusão em Dança pela Cooperativa Paulista dos trabalhadores de dança pela VI Mostra de Interpretes Criadores- Solos. 

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Cena de ” Enquanto houver corpo” com Pedro Costa, Marcelo Pessoa e Black Escobar- 2018

Em 2020, em meio à pandemia de COVID19, desenvolve um projeto em formato de série de dança online “Pinguim de Quarentena” em parceria com a artista do corpo Elisa Canola através do chamamento Poesia nos Escombros do Centro De Referência da Dança de São Paulo. Participou ainda da Mostra “Poesia Sobre os escombros” também pelo Centro de Referência da Dança com o mesmo personagem cujas nuances de corpo variaram com o “Pinguim de vida inteira”. 

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Foto divulgação da video-dança ” Pinguim de vida inteira” -2020

Vale destacar que, além de diretor e coreógrafo, Pedro Costa desenvolveu ao longo dos anos um caminho técnico iniciado com as danças populares, seguindo por um longo período no balé clássico, passando pela dança moderna e finalmente encontrando sua singularidade galgada na soma. No lugar de artista contemporâneo, implica em sua forma de dançar a sinuosidade, quedas, inversões, níveis, apoios, pesos, articulações, oposições e resistência associadas à prática de yoga e pilates das quais há mais de dez anos realiza diariamente. É deste modo que Pedro Costa instrui à conjugação de esforços para a constituição de um corpo movente, potente e comunicador. 

Ao longo dos anos, testemunhada por uma série de pessoas partícipes desta singular trajetória, Pedro Costa vem fomentando a formação continuada em dança e incentivando os recém-formados dançarinos em escolas técnicas e universidades à ingressar no universo da criação pelo movimento. Investe na intergeracionalidade como requisito para fazer emergir um campo fecundo de relação e investigação cênica, promovendo a dança como uma área de conhecimento fundamental à vida.